Será difícil ter uma melhor chance de se tornar um mestre Pokémon [vídeo]
A série Pokémon é tão famosa que dispensa apresentações, sendo uma das franquias de maior sucesso no mundo dos games e com uma enorme quantidade de títulos lançados no mercado.
Desconsiderando seus spin-offs, entretanto, a série sempre se dividiu em duas propostas principais. Nos portáteis, tínhamos a aventura original, em que você controlava um garoto (ou uma garota) com o objetivo de se tornar um mestre Pokémon, se aventurando pelos campos de um continente cheio de monstrinhos para capturar.
Já nos consoles, a proposta era um pouco diferente, pois, no lugar de um mundo inteiro a explorar, os títulos se limitavam às batalhas Pokémon. Mesmo tendo muito menos a fazer nesses games, eles atraíam qualquer fã da franquia por um simples fator: a oportunidade de ver as criaturas em três dimensões, com mais detalhes do que jamais havíamos visto nos sprites em 2D das versões de Game Boy, Color, Advance ou Nintendo DS.
Desde então, todo o fã de Pokémon sempre quis ver a combinação perfeita entre as duas propostas – um game com a exploração dos portáteis, mas os gráficos incríveis dos consoles. Infelizmente, tivemos que esperar muitos anos para que isso se tornasse verdade, mas finalmente temos essa união dos sonhos com Pokémon X e Y.
Será, porém, que os novos títulos para 3DS são capazes de cumprir as exigências e expectativas resultantes de mais de uma década de espera dos gamers? Confira nossa análise para descobrir.
Aprovado
O melhor dos dois mundos
Como disse logo acima, Pokémon X/Y prometia ser o sonho de todo o fã da série desde seu anúncio, por ser uma combinação incrível de gráficos tridimensionais com a exploração presente nos principais games da franquia. E posso dizer que nesse quesito o game se saiu incrivelmente bem.
O título não decepciona em nenhum desses aspectos. Graficamente, os pokémons estão mais incríveis do que nunca, com modelos 3D extremamente detalhados e animações incríveis. Além disso, os cenários tridimensionais estão entre os mais bonitos a dar as caras no 3DS, com uma quantidade de detalhes que impressiona qualquer um.
Mas o melhor de tudo é que o game não perdeu nada de sua mecânica original por isso. Você ainda pode explorar os cenários com bastante liberdade, enfrentando todo o tipo de treinador, capturando pokémons selvagens e coletando itens. E, é claro, as batalhas contra os líderes de ginásio e a jornada para se tornar um mestre pokémon ainda são seus maiores desafios.
Descomplicando a jogatina
Apesar de ser um game com mecânicas de batalha relativamente simples, Pokémon sempre teve problemas em dosar a dificuldade na hora de treinar seus parceiros capturados. Pois bem; como Junichi Masuda explicou recentemente, o título precisou passar por mudanças nesse quesito para se adaptar ao ritmo agitado de nossa vida atual.
O resultado disso não poderia ter sido melhor. Veteranos na série perceberão isso facilmente: a quantidade de experiência dada aos pokémons, por exemplo, se tornou muito maior, fazendo com que subir de nível não seja uma tarefa tão difícil quanto antes.
Além disso, o famoso item EXP. Share (entregue ao jogador na primeira hora da aventura) teve modificações drásticas, passando a dar experiência extra para todos os monstrinhos do seu time. Com isso, você pode se focar apenas em seu pokémon principal durante as partidas sem a preocupação de que o resto de sua equipe fique despreparada, uma vez que eles quase sempre vão estar apenas alguns níveis abaixo.
Já quem sempre teve interesse em jogar “profissionalmente”, mas era afastado pela dificuldade de treinar os pokémons considerando os conhecidos (e temidos) natures, IVs e EVs, tem motivos de sobra para tentar novamente com o Super Training.
Disponível desde o início do jogo, o modo ajuda você a treinar seus pokémons através de um mini games rápidos, simples e, acima de tudo, muito mais eficientes que o método comum: agora é possível ter um monstrinho bem treinados em pouco mais de 30 minutos. Nada mal para um processo que costumava levar um dia inteiro...
Que venham as Mega Evoluções
Não há como falar de Pokémon X e Y sem tecer alguns elogios sobre uma das maiores novidades trazidas para a série. Graças aos mega pokémons, as batalhas ganharam um nível totalmente novo de complexidade, já que essas evoluções temporárias mudam características importantes como o tipo e a habilidade do monstrinho.
É claro que uma mecânica como essas pode causar alguns problemas nas partidas. Afinal, se eles são tão fortes, o que impede alguém de montar um time apenas de mega pokémons? Pensando nisso, a Nintendo fez com que apenas um pokémon de seu time pudesse evoluir dessa maneira por batalha, o que significa que ninguém poderá abusar dessa técnica durante uma partida multiplayer ou um torneio competitivo.
Seja como for, o fato é que as mega evoluções são poderosas e estilosas. O que mais você pode querer para uma batalha pokémon além disso?
O poder do online
Pokémon sempre teve um grande foco na interação entre jogadores, tanto que a série é uma das poucas da Nintendo a ter um enorme suporte online. Nesse aspecto, X e Y consegue se superar: encontrar outras pessoas, trocar pokémons e até mesmo batalhar com os monstrinhos nunca foi uma experiência tão agradável.
Tudo isso se deve ao fato de que não é mais necessário desviar todo o seu caminho para acessar o modo online. No lugar de precisar ir até um Centro Pokémon, basta estar com a conexão WiFi ligada e ativar o Player Search System na tela inferior – a partir desse momento, você está conectado aos jogadores de todo o mundo, seja para conversar, lutar ou trocar pokémons.
Agora, junte isso à enorme quantidade de pokémons disponibilizados no novo game que você dificilmente conseguirá sozinho, a busca de novas Mega Stones (incluindo as exclusivas de cada versão) e os prêmios que X e Y dão para incentivar a interação entre amigos. Definitivamente, foi uma boa hora para a Nintendo decidir criar uma conexão online constante, já que você provavelmente vai querer usá-la a maior parte do tempo.
Reprovado
O lado ruim de um mundo 2D com cara de 3D
Pokémon X/Y pode ter trazido muitas qualidades com seus gráficos 3D. Na hora de explorar o continente de Kalos, porém, o impacto negativo que isso tem na jogabilidade é perceptível de imediato.
O problema é causado pela possibilidade de se mover com relativa liberdade, devido à presença de um controle analógico, mas com as limitações de exploração dos games originais em 2D. Basta tentar andar até alguém usando o direcional, por exemplo, para que, no lugar de parar logo à frente do personagem, você acabe apenas desviando dele.
Outro exemplo bastante frustrante disso está na hora de acessar áreas estreitas do cenário. Isso porque seu personagem fica preso em paredes invisíveis com uma facilidade enorme, simplesmente porque você não estava perfeitamente alinhado. Em um primeiro momento, detalhes como esses podem não parecer grande coisa. Mas acredite: depois de algumas horas de jogo, algo assim se torna insuportável. Logo, você vai querer ficar com o direcional digital.
Uma batalha contra a câmera
A situação se mostra ainda pior nas horas em que Pokémon X/Y tenta colocá-lo em um ângulo de visão diferente, com a câmera “montada” no ombro do personagem. Uma vez que seu treinador pode se mover com extrema rapidez, é ridiculamente fácil se sentir completamente desnorteado nessas situações, visto que ela o acompanha pelo menor movimento.
Para nosso alívio, esse caso não é exatamente comum, se limitando a algumas áreas bastante específicas, como a cidade de Lumiose (a maior de todo o game) e um número pequeno de cavernas. E, ainda bem, porque muita gente ia sair nauseada depois de algumas horas de jogo caso tivesse que lidar com as câmeras se movendo daquele jeito durante toda a trama.
Kalos: o continente das paredes invisíveis
Por falar em paredes invisíveis, prepare-se para se frustrar bastante com elas. Antes de tudo, quero deixar claro que aceito a existência delas. Também entendo tranquilamente as desculpas que os desenvolvedores usam para colocá-las – sejam elas montanhas, uma série de barris enfileirados, uma floresta densa ou uma simples cerca. O que Pokémon X/Y faz, porém, é difícil de engolir.
O fato é que o título mal se dá ao trabalho de “esconder” as paredes. Normalmente a única diferença entre uma parte acessível e inacessível do cenário é uma mínima diferença de cor entre partes da grama ou uma mínima elevação no relevo, o que frequentemente atrapalha o jogador na hora de identificar que partes do mapa ele pode ou não explorar.
Felizmente, depois de algum tempo de jogo fica mais fácil se acostumar com a diferença entre cada tipo de área. Mas que é bastante estúpido ter que dar uma enorme volta para alcançar um item a cinco passos de distância quando tudo o que separa você dele é um minúsculo pedaço de grama escura, sobre isso não há dúvidas...
Está paralisado!
Fãs do 3D no 3DS, sinto informá-los que essa não é uma função que vocês vão querer utilizar em Pokémon X/Y. Basta ativá-la para que a queda na taxa de frames se revele quase que imediatamente durante as batalhas.
Ao menos parece que a Nintendo, percebendo tais limitações, fez com que a função 3D se limitasse a apenas uma parcela do game, sendo ela as batalhas Pokémon de 1 contra 1. Disputas em duplas e trios ou mesmo explorar os cenários não possuem suporte à tecnologia – e ainda bem, pois mesmo esses casos já apresentam ocasionais slowdowns.
Vale a pena?
Pokémon X/Y impressiona com facilidade qualquer fã, embora não o faça sem seus deslizes: explorar o cenário realmente não é a melhor das experiências até você se acostumar com os problemas nos controles e na câmera.
Mas o que vale é que tudo o que há de mais importante – as batalhas, a exploração de cenários, o desafio de encontrar e capturar pokémons, entre outros – está ali, apresentado com uma qualidade nunca antes vista na série.
Então, no fim das contas, qual o grande problema em gastar duas ou três horas frustrantes aprendendo qual direcional usar em determinado momento ou ter pouco uso para o 3D quando o título que promete dezenas (ou até centenas) de horas de diversão? Pokémon X e Y definitivamente vale a pena, se provando o melhor game da franquia até o momento.
Este jogo foi adquirido pelo Jogos Titulares para a realização desta análise.








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